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22/06/2005 12:16
Eu nem fui no tal do chá. Mas três das minhas manas se reuniram outro dia em casa de mana Cidinha, onde foi servido um chá, ou café, sei lá – nem fui – mas que tinha como petisco um tal de pão de mandioquinha.

Já vi e já comi pão de batata, e até de abóbora, mas de mandioquinha, nunca. Mas diríamos que é um tubérculo interessante e apetitoso, não?

Pois então, depois do tal encontro, a Cidinha repassou a pedidos das outras um e-mail com a receita do tal do pão. Eu entrei no rolo. Certo que nem provei, mas pareceu realizável. Pensei, que maravilha, mandioquinha é tudo de bom, está com cara de ficar excelente. Resolvi fazer logo, porque se eu pegar uma receita e guardar, nunca mais faço, esqueço completamente, fica lá no fundo da gaveta.

Assim, imbuída de grande motivação, comprei os ingredientes que faltavam, o fermento e a mandioquinha em si.

Antes de comprar, porém, ainda tentei esclarecer com a colega Eugênia da academia, dona de certos dotes culinários, uma dúvida que não queria calar: esse meio quilo é de mandioquinha crua, com casca e tudo, ou é descascada e cozida?

Ela se matou de rir me julgando uma principiante: é claro que é comprada! Não sei por que seria claro, a receita é uma coisa enigmática, desde esse momento eu devia ter percebido. Era um sinal.

Bom, comecei minha aventura na hora do almoço. Com umas panelas ligadas aqui e ali, cozinhei a mandioquinha e amassei, que aliás, em outras regiões do Brasil parece que é batata-baroa!

Daí fiz como na televisão, separei os ingredientes, organizei tudo e comecei. Fermento no leite morno! Pimba! Os quatro quadradinhos não queriam se dissolver de modo algum, ficavam grudentos e eu amassando. O seguinte passo acho que eram os ovos. E a tonta abriu todos direto no leite com a gosma de fermento; é claro que as gemas ficaram escorregando pra cá e pra lá e não queriam também se misturar. Demorei um certo tempo, mas ficou mais ou menos. Talvez se eu batesse antes... daí entrou a senhora margarina, só uma colher, mas que droga, ficava boiando! Outro arrependimento, devia ter derretido no micro!

Bom, daí joguei a mandioquinha amassada na mistura e formou-se uma gororoba esquisita. Não se agregava de modo algum, até que resolvi entrar com a farinha! Cidinha tinha escrito: 600 ml de farinha, a tonta acreditou e até pesou. Joguei lá e nada. Aquilo parecia o triângulo das Bermudas, quanta farinha jogasse, a massa gororobenta chupava! E continuava mole... Acho que botei mais de um quilo!

A questão era: como fazer pãezinhos?
Pela aparência da mistura, lembrei até da cola de farinha que fazia quando era pequena, para colar as folhas de papel de seda e fazer pipa (na minha cidade chamávamos de papagaio...).

Quando arrisquei botar a mão na coisa para avaliar o grau de melequice, a situação apertou. Minhas mãos sumiram, e nada de sair. Tive que raspar com a colher e lavar a mão para recomeçar.

Gente, parem de dar risada! Eu já fiz muito pão na vida! Adoro fazer pão integral e sempre dá tudo certinho! Mas o endiabrado do pão de mandioquinha queria me passar a perna. Era ele, ou eu!

Então decidi jogar a coisa na mesa, enchi de farinha pra todo lado (momento em que caiu um monte no chão) e fiquei tentando desgrudar a massa da tigela. Sobrou um monte grudado, que eu raspei pra aproveitar. Mas aqueles ficaram sequinhos, aparecendo na massa. Prometi que não iria desesperar, fazer pão tem que ser um momento zen...
Bom, eu suei, gente. Amassava, botava farinha, amassava, raspava a mesa, é claro, botava farinha, grudava de novo! Estava rindo sozinha na cozinha para não passar energia negativa pro pão!

Bom, a culinarista Cidinha ainda escreveu: faça bolinhas! Bem, fiz as bolinhas do tamanho que achei, sofrendo, passando farinha na mão, mas deu certo. Enchi duas formas inteiras de pão, beleza, estavam lindos. Pincelei com ovo e deixei crescer.

Quando fui olhar, depois de uma meia hora, eles pareciam uns monstros enormes, grudados uns nos outros, de tanto que cresceram! Mas pelo menos não ficaram embatumados, pensei, sinal que a farinhada não atrapalhou. Seja o que Deus quiser, botei no forno e lá se foram as belezuras assar.

Durante o processo, pensava: essa receita da Cidinha está toda furada, mas não podia ligar pra ela, era horário de trabalho e eu nem tenho o número de lá. Só faltava esse vexame!

No fim deu certo, gente, olhem a foto! Eles ficaram grandões, mas muito-muito bons! São macios, fofinhos, coisa de profissional. Mas nada de gosto de mandioquinha.



Ah, e nem contei o monte de coisas que tive que lavar, tudo grudado, mesa, chão... ufa.

Mandei a foto pra mentora deles e ela tirou muito sarro de mim. Observações: as bolinhas tinham que ser menores, ela esqueceu de dizer que dá 40 pãezinhos pequenos... que mais ela esqueceu? Que a mandioquinha tem que ser cozida no vapor para não pegar muita água... que o fermento biológico seco é melhor que o outro... e detalhezinhos que não lembro.

Todo mundo adorou e caiu de boca, e quando avisei que ia congelar ao menos um pra minha pequena Penélope que mora longe, para experimentar quando viesse, houve reclamações, do tipo: ah, mas daí você faz de novo!
Não quero nem pensar nisso por enquanto, estou igual parturiente recente, filho é lindo, mas nunca mais!

enviada por Penélope






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